Produtividade na metalomecânica portuguesa: controlo integrado, dados e gestão
2026-02-03
A metalomecânica portuguesa continua a ser um dos pilares da indústria nacional. Tem um peso relevante nas exportações e uma capacidade técnica reconhecida internacionalmente. Mas, mesmo assim, existem obstáculos que limitam o crescimento do setor e um deles é gritante: a dificuldade em transformar a capacidade produtiva em produtividade. Este problema resulta, sobretudo, da forma como muitas empresas se organizam, da dispersão da informação e da falta e controlo integrado dos dados e informações. Produz-se bem, mas gere-se mal.
Durante anos, o debate sobre produtividade centrou-se quase exclusivamente na modernização da maquinaria e no desempenho das pessoas, mas essa visão revelou-se curta. Hoje é claro que a produtividade é, acima de tudo, um reflexo direto da organização da empresa e da qualidade dos dados disponíveis que chegam à gestão destas empresas.
A produtividade como problema estrutural
Falar de produtividade na metalomecânica não é falar apenas de produzir mais peças por hora. É falar de planeamento, de previsibilidade, de controlo de custos e da redução de desperdício. É falar da capacidade de saber, em tempo útil, quanto custa realmente uma obra, uma encomenda ou uma ordem de produção.
Em muitas PMEs deste setor, essa informação continua dispersa. Parte está em folhas de Excel, parte em apontamentos manuais, outra parte na experiência das chefias intermédias. O resultado é uma gestão reativa, dependente de urgências e com pouca capacidade de antecipação.
Este cenário é particularmente penoso num contexto de pressão sobre margens, custos energéticos voláteis e de escassez de mão de obra qualificada. Aumentar a produtividade deixou de ser uma ambição estratégica e passou a ser uma condição de sobrevivência.
Indústria 4.0, Indústria 5.0 e a realidade do setor
Nos últimos anos, a Indústria 4.0 ganhou espaço no discurso empresarial. Sensores, automação, robótica e recolha de dados passaram a fazer parte do vocabulário e agenda de muitos gestores de empresas metalomecânicas. Contudo, a experiência no chão de fábrica veio demonstrar que a simples adoção de tecnologia não resolve problemas estruturais. Sem processos claros, sem disciplina organizacional e sem integração entre sistemas de informação e gestão, a digitalização apenas torna mais visíveis as falhas existentes. Existem dados, mas não há controlo. Há tecnologia, mas não há decisão informada.
É neste contexto que surge a Indústria 5.0, não como rutura, mas como correção de rumo. O foco principal é voltado para a gestão, pessoas e para a capacidade de usar informação fiável para decidir melhor. Na metalomecânica portuguesa, este enquadramento faz todo o sentido. O setor continua altamente dependente do conhecimento técnico das pessoas, mas precisa de reforçar esse conhecimento com dados estruturados, rastreáveis e integrados ao longo de toda a cadeia de valor.
Fragmentação operacional: o custo invisível
Um dos maiores obstáculos à produtividade neste setor é a falta de integração funcional entre as áreas principais: comercial, produção, logística, compras, chão de fábrica e gestão financeira. Durante décadas, muitas empresas cresceram a criar respostas imediatas aos problemas do dia a dia e cada área criou os seus métodos e ferramentas. Na produção, continuam a existir ordens em papel, registos manuais de tempos e ausência de dados fiáveis sobre os consumos e desvios. Na logística, há excesso de stock de alguns materiais e ruturas noutros, com reflexo direto na tesouraria. Nas compras, as decisões são tomadas sem planeamento, logo, com perda de poder negocial. Na gestão, os dados chegam tarde e em diferentes formatos. Sem integração, a empresa reage. Não controla.
Da teoria à prática: o caso da Entreferros
O testemunho do cliente Entreferros - Serralharia e Construções Metálicas ilustra bem este ponto. Antes da implementação de um software de gestão integrado, a empresa trabalhava com processos manuais e informação dispersa.
“Usávamos um software para fazer faturação e alguns orçamentos. Para o controlo operacional de chão de fábrica, controlo de custos e de stocks usávamos o Excel, o que era um problema porque facilmente se cometiam erros” - Beatriz Silva, responsável pela digitalização da empresa.
Esta realidade é comum a muitas metalomecânicas. A faturação estava informatizada, mas o coração da operação continuava fora do sistema. O resultado era uma falta de visibilidade sobre custos efetivos e sobre as margens.
A decisão de mudar surgiu cedo no seu percurso dentro da empresa. “Foi praticamente desde que comecei a trabalhar na Entreferros, em 2022, que senti que era necessário investir num software de gestão integrado para podermos reorganizar os processos internos, controlar os stocks e os custos operacionais”, reforça, Eng.ª Beatriz Silva.

Eng.ª Beatriz Silva, Entreferros
Controlo integrado como base da produtividade
Com a implementação do Cegid PHC, juntamente com o WIN Metalomecânica a Entreferros passou a gerir o processo do início ao fim. Da orçamentação à faturação, da produção à montagem em obra, tudo passou a estar ligado.
“Ao implementar um software de gestão integrado, passámos a ter uma solução que gere os processos desde a orçamentação até à faturação — algo que não acontecia até essa altura.”
Quando o que é orçamentado está diretamente ligado às ordens de produção, aos consumos de materiais, aos tempos das pessoas e às compras, a empresa deixa de trabalhar com estimativas e passa a trabalhar com dados reais. O impacto é imediato no controlo de custos e na produtividade.
Dados reais para decisões bem fundamentadas
Uma das vantagens mais relevantes está no registo de tempos e consumos. Na Entreferros, este processo passou a ser feito de forma simples e integrada.
“Após a implementação do Cegid PHC, o registo de horas passou a ser efetuado através de uma aplicação desenvolvida pela Winsig, a WIN APP Obras. Agora tenho uma análise real e fiável.”
Este tipo de informação permite perceber onde se perde mais tempo, onde existem desvios e quais os projetos mais rentáveis. A produtividade deixa de ser uma perceção e passa a ser devidamente medido. Como refere Beatriz Silva, “agora conseguimos ver as margens reais e comparar projetos semelhantes, fazendo estimativas mais próximas da realidade”.
Produtividade não é trabalhar mais, é trabalhar com controlo
Um erro comum é associar produtividade a mais esforço. Na prática, significa menos trabalho inútil, menos retrabalho e menos tarefas administrativas sem valor.
Na Entreferros, os processos que consumiam tempo deixaram de existir. “Antes faziam o registo em papel e alguém tinha de recolher e inserir os tempos de todos diariamente. Esse trabalho, simplesmente, acabou.” Este ganho liberta tempo das pessoas para tarefas com mais valor e reduz a dependência de intervenções manuais, onde o erro é frequente.
O papel do WIN Metalomecânica
O WIN Metalomecânica foi desenvolvido precisamente para responder aos problemas estruturais do setor. Não é um conjunto de módulos isolados, é um modelo integrado de controlo que vai desde a fase comercial, dos orçamentos e fichas técnicas, passa pelo planeamento da produção, gestão de ordens, controlo de consumos, logística, montagem em obra, até à gestão financeira, tudo está interligado.
Na prática, isto permite que a gestão tenha uma visão abrangente do negócio, com controlo das margens por obra ou por ordem de produção, análise de desvios e ligação direta à tesouraria.
Como refere Beatriz Silva, “o painel da obra já vem muito completo de raiz: tem todos os trabalhos, preços, margens, custos com pessoas, materiais e serviços — tudo num painel geral, com dados disponíveis em tempo real”.
A mudança como condição de crescimento
A transformação não é apenas tecnológica. É cultural e organizacional, mas nem todas as pessoas encaram a mudança da mesma forma.
“A mudança nem sempre é vista como um ponto positivo por todas as pessoas”, admite Beatriz Silva. “Vejo a mudança como um passo indispensável para o crescimento da empresa, enquanto outras pessoas a encaram como algo que pode complicar o dia a dia.”
Este é um desafio real no setor. Mas é também inevitável. As empresas que não estruturarem os seus processos, não integrarem a informação e não passarem a decidir com base em dados vão continuar a perder produtividade e margem.
A produtividade é uma decisão de gestão
A metalomecânica portuguesa não precisa de produzir mais rápido a qualquer custo. Precisa de produzir melhor, com controlo, previsibilidade e capacidade de decisão. A tecnologia e o conhecimento técnico existem, o que faz a diferença é a forma como a empresa se organiza e utiliza a informação que gera.
Como mostra o caso da Entreferros, quando a gestão assume a transformação como uma decisão estratégica, os resultados aparecem: mais controlo, mais eficiência e maior rentabilidade. A produtividade não começa na máquina. Começa na gestão.
Está a gerir com dados reais ou a reagir aos problemas do dia a dia?
A perda de produtividade na metalomecânica é evitável. É, geralmente, consequência da falta de controlo integrado sobre a operação, da informação dispersa e das decisões tomadas sem dados atualizados e fiáveis.
Se a sua empresa continua sem ter visibilidade sobre os custos, margens, tempos de produção ou rentabilidade das obras, está a gerir com risco. A Winsig trabalha diariamente com empresas metalomecânicas que enfrentavam estes mesmos desafios e que decidiram estruturar a gestão, integrar processos e passar a decidir com base em dados reais. Com o WIN Metalomecânica, integrado no Cegid PHC, é possível ligar produção, logística, compras, obra e gestão financeira num único modelo de controlo, ajustado à realidade do setor.
Fontes e consulta de artigos:
Artigo “Porque a metalomecânica portuguesa continua a perder produtividade”;
Artigo “Integração funcional nas metalomecânicas: da fragmentação à competitividade”;
Artigo “Indústria 4.0 e Indústria 5.0 em Portugal: o que muda na metalomecânica”;
Artigo “Competitividade da indústria metalomecânica portuguesa”;
Artigo “Do orçamento à montagem em obra: a eficiência do WIN Metalomecânica”;
Documento WIN Metalomecânica Cegid PHC CS;
Dados e enquadramento referidos nos artigos: INE, DGEEC, AIMMAP, Comissão Europeia (Industry 5.0), OECD e Plano +Metal 2030.

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