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Indústria 4.0 e Indústria 5.0 em Portugal: o que muda no setor da metalomecânica

2026-01-19

A indústria portuguesa é composta maioritariamente por pequenas e médias empresas, com forte peso da exportação e elevada dependência dos setores tradicionais. Segundo dados do INE e da DGEEC, mais de 99% das empresas industriais em Portugal são PMEs, muitas delas com estruturas produtivas maduras, com margens esmagadas e imensa dificuldade em atrair mão de obra qualificada. Estas variantes refletem a urgência na aposta na modernização industrial não por opção estratégica, mas por uma necessidade concreta de sobrevivência.

Nos últimos anos, o conceito de indústria 4.0 alastrou-se no discurso empresarial. Mas, mais recentemente, o conceito de indústria 5.0 surgiu como uma evolução natural que trouxe novas exigências e mudou o foco da transformação industrial. Em Portugal, estas duas abordagens coexistem, especialmente no setor da metalomecânica.

 

O que é a Indústria 4.0?

A indústria 4.0 nasce com o objetivo principal de aumentar a eficiência, produtividade e controlo através da digitalização dos processos produtivos.

 

5 pilares principais:

  • Integração dos sistemas de produção com software de gestão;
  • Recolha de dados em tempo real no chão de fábrica;
  • Automatização de tarefas repetitivas;
  • Redução de erro humano;
  • Aumento da previsibilidade da produção

Na prática, a indústria 4.0 introduz sensores, sistemas de execução da produção, robótica, análise de dados e ligação entre as máquinas e os sistemas centrais de recolha de informação. Este modelo foi amplamente divulgado e impulsionado por programas como o Portugal i4.0 e por incentivos do PT2020 e do PRR, focados especialmente nas empresas exportadoras.

 

Limitações da Indústria 4.0 em Portugal

 

Existe uma ligação direta entre as limitações da Indústria 4.0 em Portugal e o aparecimento da Indústria 5.0. A experiência acumulada nos últimos anos mostrou que a simples adoção de tecnologia não resolve problemas estruturais. A digitalização, quando aplicada sem existir revisão dos processos, sem disciplina organizacional e sem valorização das pessoas, apenas torna mais visíveis as falhas existentes. Os sistemas avançados convivem, lado a lado, com decisões nada informadas, com planeamentos frágeis e com a elevada dependência do conhecimento individual, o que limita a compensação do investimento efetuado. É neste contexto que a Indústria 5.0 surge, não como rutura, mas como correção deste rumo.

 

A Indústria 5.0 parte do princípio de que a tecnologia só cria valor quando apoia a decisão humana e quando está integrada numa empresa preparada para a usar. Assume que a eficiência sem sentido crítico não é suficiente e que competitividade exige dados fiáveis, processos claros e pessoas que consigam interpretar a informação. Assim, a Indústria 5.0, responde às falhas da Indústria 4.0 ao recentrar a transformação industrial na gestão, na resiliência e na capacidade de adaptação, aspetos fulcrais para a realidade das empresas portuguesas, em particular no setor da metalomecânica.

 

 

O que é a Indústria 5.0?

 

Ciente das lacunas da indústria 4.0, a União Europeia, cria a indústria 5.0, como resposta às limitações do modelo anterior e define-a como uma indústria centrada no ser humano, sustentável e resiliente.

Com a indústria 5.0, o paradigma muda: a tecnologia deixa de ser o fim e passa a ser o meio; o centro da decisão volta a ser a pessoa, agora apoiada por dados fidedignos e por sistemas digitais.

 

Winsig 5 Pilares Metalomecânica

 

5 pilares principais:

  • Mais valorização do conhecimento humano;
  • Colaboração entre as pessoas e os sistemas automatizados;
  • Aposta na sustentabilidade ambiental e energética;
  • Maior capacidade de adaptação às mudanças;
  • Produção mais personalizada

Isto não significa que a tecnologia seja menos utilizada, significa que a tecnologia é mais bem aplicada e que esta está ao serviço da decisão e dos gestores e podem, realmente, criar valor.

 

A realidade da metalomecânica em Portugal

 

A metalomecânica é um dos sectores industriais mais relevantes em Portugal, com cerca de 23 mil empresas e uma força de trabalho de quase 246 mil pessoas (dados de 2021). O volume de faturação ronda os 34,6 mil milhões de euros e a geração de riqueza aproxima-se dos 8,7 mil milhões de euros anuais*. Tem uma forte ligação à exportação, à indústria automóvel, moldes, estruturas metálicas e componentes industriais.

 

Winsig Desafios Metalomecânica

 

Segundo a AIMMAP, os principais desafios do setor são:

  • Pressão sobre preços e margens;
  • Escassez de mão de obra qualificada;
  • Aumento dos custos energéticos e das matérias-primas

 

A maioria das empresas metalomecânicas trabalham com elevado conhecimento técnico, mas têm uma estrutura fraca ao nível da organização e análise de dados. O planeamento, os custos reais, os tempos de produção e a rastreabilidade continuam, na maioria dos casos, dependentes das velhinhas folhas de cálculo, da experiência individual do trabalhador e do controlo manual.

 

A indústria 4.0 na metalomecânica portuguesa

Quando bem aplicada, a indústria 4.0, traz grandes vantagens:

  • Melhor controlo dos tempos de fabrico;
  • Rastreabilidade por ordem, lote ou peça;
  • Redução dos desperdícios;
  • Maior fiabilidade no planeamento

 

No entanto, muitas empresas ficaram pelo básico: modernizaram as suas máquinas, mas não as integraram com o software de gestão; ou seja, a tecnologia está disponível, mas não está a ser utilizada a favor da gestão e do aumento da produtividade dos recursos humanos das empresas; as decisões continuam a ser baseadas nas urgências diárias ao invés de serem baseadas na análise de dados que a tecnologia pode fornecer.

 

O salto inevitável para a indústria 5.0 no setor

É aqui que a Indústria 5.0 se torna relevante para a metalomecânica portuguesa. O setor não precisa apenas de produzir mais rápido; precisa de produzir melhor, com menos dependência de chefias intermédias e com maior capacidade de adaptação.

 

Na prática, em que é que isto se traduz?

  • Em sistemas de gestão integrados com a produção, os custos e a logística;
  • Disponibilização de informação fiável para apoiar chefias intermédias e a gestão;
  • Os operários podem consultar dados e compreender que as máquinas não se operam sozinhas;
  • As decisões são baseadas nos dados gerados e não na urgência diária

Num contexto de escassez de recursos humanos e, ainda mais grave, especializados, a indústria 5.0 permite aumentar produtividade sem desumanizar o trabalho, ou seja, o conhecimento do operador passa a ser valorizado e reforçado com os sistemas digitais.

 

A complementaridade da indústria 4.0 e 5.0

 

Um erro comum é tratar a indústria 4.0 e a 5.0 como opostas e concorrentes. Na realidade, a indústria 5.0 só é possível quando a base da 4.0 está bem implementada. Sem dados estruturados, sem a integração com os sistemas de gestão e sem controlo operacional, a gestão não está otimizada.

Na realidade deste setor, a nível nacional, o verdadeiro desafio não é adotar conceitos novos, mas consolidar o controlo da gestão operacional, estruturar a informação e criar condições para decidir melhor e com base nos dados que os sistemas integrados de gestão disponibilizam. A tecnologia já existe, o que falta é o método, a visão e o alinhamento entre a gestão e a produção.

A transformação industrial como decisão de gestão

Portugal vive uma fase decisiva na sua indústria e não nos podemos esquecer que a indústria 4.0 gerou ganhos relevantes, apesar de ter os seus limites. Por outro lado, a indústria 5.0 aponta um caminho mais realista para um tecido industrial feito como o de Portugal, que é maioritariamente composto por PMEs, com forte dependência das pessoas, do seu conhecimento técnico e da sua flexibilidade.

 

O futuro das metalomecânicas não está numa fábrica totalmente automática nem numa dependente da experiência de poucos, está numa indústria onde os dados, sistemas e pessoas trabalham juntos, com controlo, rastreabilidade e capacidade de adaptação.

 

A transformação industrial deixou de ser tecnológica. É, acima de tudo, uma decisão de gestão.

 

 

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Ana Lopes

Ana Miguel Lopes

Corporate journalist

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