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Guia de digitalização na metalomecânica: contextualização do setor e aposta na Indústria 5.0

2026-02-09

O setor da metalomecânica em Portugal atravessa uma fase de elevada exigência, nomeadamente ao nível dos custos da energia, da pressão constante sobre as margens, passando pela escassez de mão de obra (generalizada e especializada) e pelas exigências cada vez mais informadas dos seus clientes.

É certo que este setor tem um peso bastante relevante na economia nacional: o setor da Metalurgia e Metalomecânica, em 2021, agregava cerca de 23 mil empresas e empregava aproximadamente 246 mil pessoas*, o que representa perto de um terço do total da indústria transformadora. Estes números refletem a sua dimensão e importância social, não apenas pela quantidade de postos de trabalho que gera, mas também pela diversidade de competências que estão envolvidas.

Ora, a gestão das indústrias deste setor torna-se cada vez mais desafiante e requer um esforço adicional de modernização e um salto evolutivo para crescer de forma saudável e sustentável. Para isto acontecer, os gestores têm de ter a acesso a informações fidedignas sobre o estado das suas empresas para poderem analisar esses dados e tomar decisões informadas e seguras.

 

O contexto do setor metalomecânico

O volume de negócios do setor expressa a sua relevância na economia nacional. De acordo com os dados de 2021, o setor da Metalurgia e Metalomecânica, registou um volume de negócios na ordem dos 34,6 mil milhões de euros e gerou cerca de 8,7 mil milhões de euros de VAB. O investimento anual foi de cerca de 1,3 mil milhões de euros, o que reflete um esforço continuado na modernização e na renovação dos equipamentos existentes*. Por outro lado, a cadeia de valor apresenta elevada complexidade. Abrange a produção, compras, controlo de stocks, subcontratação, logística e financeiro, áreas que estão interligadas, que fazem parte da gestão diária destas indústrias e que condicionam a capacidade de geração de negócios e de investimento.

Uma das questões que condiciona estes investimentos e geração de negócios, é a gestão da interligação das informações num sistema integrado de gestão. Muitas indústrias ainda utilizam as folhas de cálculo e os conhecimentos de alguns funcionários para resolver e analisar situações que ocorrem no dia-dia, ao invés de integrar as informações que provêm dos variados departamentos num software de gestão para possibilitar a análise e geração de relatórios com base em dados reais. A realidade é que a gestão tradicional continua a reinar em muitas empresas deste setor.

*dados do “Plano Estratégico e de Ação para o Setor da Metalurgia e Metalomecânica em Portugal – Metal 2030, AIMMAP e EY-Parthenon, 2023”

 

A gestão tradicional deixou de funcionar?

A maioria das indústrias cresce com base na experiência dos gestores, do seu conhecimento técnico, de alguns funcionários de maior confiança e pela proximidade com os seus clientes. Hoje, esse modelo é claramente insuficiente e está desatualizado.

A realidade atual impõe:

Realidade Construção

  • Rastreabilidade dos processos produtivos;
  • Aumentar a produtividade;
  • Investimento na Indústria 5.0
  • Digitalização como fator de competitividade
  • Integração das diversas áreas funcionais num software de gestão (ERP)

Sem um sistema que consolide informação e imponha disciplina na gestão, os problemas podem não surgir de imediato, mas acabam por se manifestar mais tarde nas margens dos produtos, na tesouraria e nas decisões tardias que poderiam ter mitigado ou corrigido alguns destes desvios afetando a competitividade da empresa.

 

Rastreabilidade dos processos e dos produtos

A rastreabilidade é essencial devido à complexidade dos processos produtivos e ao seu impacto na cadeia de valor.

Rastreabilidade Processos Produtos Metalomecanica

Ao digitalizar os processos produtivos irá:

  1. Acompanhar as matérias-primas, os componentes e os produtos no seu ciclo produtivo;
  2. Comparar consumos, tempos e custos com as respetivas ordens de produção;
  3. Saber se existe coerência entre a produção, os stocks, a subcontratação e a expedição;
  4. Corresponder com a qualidade e exigências que os clientes internacionais exigem;
  5. Reduzir os erros manuais;
  6. Criar bases sólidas de informação para as auditorias e certificações.

Sem investimento na rastreabilidade, as indústrias perdem capacidade de análise e de reação sobre as suas operações diárias.

 

Produtividade: o principal desafio estrutural

Apesar do setor apresentar bons números quanto ao desempenho económico-financeiro global e apresentar níveis relevantes de investimento em tecnologia, a produtividade do trabalho continua a ser um dos principais problemas registados. Esta limitação afeta diretamente a capacidade de mitigar o aumento de custos, a margem para as atualizações salariais e, a longo prazo, a competitividade.

O investimento na digitalização contribui para aumentar a produtividade, nomeadamente:

  • No planeamento da produção com base em dados reais;
  • Na redução de desperdícios;
  • Na utilização mais eficiente dos recursos produtivos;
  • Na identificação de desvios de custo e de desempenho;
  • No apoio à decisão com informação fiável e em tempo real.

Sem dados estruturados, a produtividade não aumenta de forma sustentada.

Metalomecânica Dados Estruturados

 

 

Indústria 5.0: tecnologia ao serviço das pessoas e da sustentabilidade

A Indústria 5.0 representa uma evolução do paradigma industrial, mas não substitui a digitalização nem a Indústria 4.0.

Na Indústria 4.0, o software de gestão assume-se como a base do controlo das tarefas diárias. A digitalização da produção, defendida por entidades como o INE e a DGEEC, referem a urgência na existência de sistemas capazes de integrar a informação que vem da produção, da logística, das compras e da área financeira; uma vez que sem essa integração, os dados recolhidos não têm qualquer utilidade.

A Indústria 5.0, promovida pela Comissão Europeia como um novo modelo industrial centrado no colaborador, na sustentabilidade e na resiliência, altera esta visão e evolui para outro patamar. O software de gestão deixa de ser um instrumento de controlo para passar a ser um elemento de apoio à decisão humana. Em suma, a tecnologia deixa de comandar o processo e passa a apoiar gestores e as chefias intermédias com informação fiável e acessível.

 

Indústria 5ponto0

 

Este modelo assenta em:

  • Crescimento sustentado apoiado na tecnologia e na qualificação;
  • Valorização dos recursos humanos e do conhecimento;
  • Utilização eficiente de recursos e da energia;
  • Reforço da resiliência das cadeias de valor.

Sem uma base digital sólida, a Indústria 5.0 permanece um conceito estratégico sem aplicação prática no dia a dia da empresa.

 

Digitalização como fator de competitividade

A digitalização tem papel transversal na competitividade do setor, nomeadamente no crescimento e produtividade, na credibilidade e na sustentabilidade, e na imagem e reputação internacional.

A digitalização é a resposta a desafios como:

  • Complexidade da cadeia de valor;
  • Esmagamento dos preços e prazos;
  • Escassez de recursos humanos;
  • Exigências ao nível da sustentabilidade e da eficiência.

As empresas que não estruturam, registam e analisam as suas informações perdem capacidade competitiva num setor que está cada vez mais orientado para crescer de forma sustentada e informada.

 

 

Digitalizacao

 

 

Integração das diversas áreas funcionais num software de gestão 

O software de gestão (ERP) desempenha um papel estruturante na modernização e digitalização das empresas metalomecânicas, sobretudo no contexto da transição da Indústria 4.0 para a Indústria 5.0. Esta evolução não trouxe apenas a introdução de novas tecnologias em chão de fábrica, também veio evidenciar a necessidade de transformar dados recolhidos em informação relevante para a gestão destas indústrias.

Reas Funcionais Erp

 

Neste sentido, um software de gestão assume um papel central na organização das metalomecânicas ao:

  • Integrar todo o seu funcionamento numa base de dados única;
  • Eliminar circuitos paralelos/duplicados de informação;
  • Disponibilizar dados atualizados sobre os custos, as margens e o desempenho;
  • Gerar dados fidedignos que fundamentam as decisões sobre investimentos e financiamento;
  • Tornar a empresa mais previsível, controlada e escalável

A tecnologia não cria valor por si só. Cria valor quando impõe disciplina, estrutura e transparência à gestão.

 

O papel da Winsig nas metalomecânicas

A Winsig trabalha com empresas e indústrias através de uma abordagem prática e orientada para o negócio. O ponto de partida é sempre a realidade da empresa, não o software.

A intervenção assenta em:

  • Levantamento dos processos e das necessidades;
  • Desenho da solução em função do funcionamento da empresa;
  • Configuração e complementaridade do software Cegid PHC para responder às exigências da metalomecânica;
  • Acompanhamento, apoio e formação contínuos.

A implementação não termina com a entrada em produção da solução, o acompanhamento, a formação e o desenvolvimento de novas funcionalidades fazem parte da evolução e do crescimento das empresas.

Por acreditar nestas boas práticas e apresentar as melhores ofertas aos seus clientes, a Winsig desenvolveu uma solução concebida especificamente para este setor: O WIN Metalomecânica. Esta solução serve, em suma, para devolver o controlo, rastreabilidade e visão económica das empresas que produzem por obra ou projeto; integra os departamentos comercial, produção, logística e financeiro numa uma única base de dados.

 

Template Semana 4 2026 14

 

O que é e o que faz o WIN metalomecânica?

O WIN Metalomecânica é uma solução vertical desenvolvida sobre o ERP Cegid PHC, orientada para empresas metalomecânicas que produzem por obra, encomenda ou por projeto. A solução organiza os processos da empresa numa única base de dados, o que se traduz na coerência entre a área comercial, planeamento, produção, logística, montagem em obra e na gestão financeira.

 

Estrutura funcional

 

Área comercial e orçamentação

Permite estruturar o processo comercial com base em dados técnicos e financeiros:

  • Gestão de clientes, contactos e oportunidades;
  • Criação e controlo das propostas comerciais com estruturas de custo detalhadas;
  • Utilização de fichas técnicas com matérias-primas, processos e serviços externos;
  • Conversão automática de propostas adjudicadas em obras e ordens de produção.

Estrutura Funcional Metalomecanicas 

 

Gestão de obras e planeamento da produção

Controlo económico e operacional:

  • Concentração da informação da obra, com acesso direto aos documentos e movimentos associados;
  • Criação, faseamento e planeamento de ordens de produção;
  • Análise de custos e proveitos previstos e reais, por ordem de produção e de forma consolidada por obra;
  • Acompanhamento do estado das operações e do cumprimento do planeamento.

Gestão Obras Planeamento Produção 

 

Produção e controlo de custos

Rastreabilidade do processo produtivo:

  • Registo de consumos de materiais por ordem de produção, com saída automática do stock;
  • Registo de tempos de colaboradores e máquinas, com imputação de custos por centro de trabalho;
  • Apuramento do custo real dos produtos acabados e das ordens de produção;
  • Gestão de sobras e reaproveitamento de materiais, reduzindo desperdício.

 

Compras, subcontratação e logística

Alinhamento entre as necessidades produtivas e o aprovisionamento:

  • Concentração das necessidades de compra com base nas listas de materiais;
  • Gestão dos pedidos de cotação, mapas comparativos e encomendas a fornecedor;
  • Controlo de receções, faturação de fornecedores e rastreabilidade documental;
  • Gestão de subcontratação de serviços externos integrada com a produção.

 

Armazém, inventários e expedição

Controlo rigoroso dos fluxos físicos:

  • Gestão de stocks com valorização automática;
  • Utilização de códigos de barras, lotes e números de série;
  • Inventários físicos e receções assistidas com dispositivos móveis;
  • Expedição de materiais para clientes e obras com rastreabilidade documental.

 

Montagem em obra

Controlo produtivo fora da fábrica:

  • Abertura e gestão de ordens de montagem associadas às obras;
  • Registo de tempos e consumos em obra são registados de forma distinta dos da produção em oficina;
  • Controlo do stock em carrinhas e dos movimentos associados;
  • Apuramento do custo real da montagem e do projeto.

 

Gestão financeira e tesouraria

Visão económica e financeira integrada:

  • Emissão e controlo de faturação, autos de medição e cobranças;
  • Gestão de pagamentos, reconciliação bancária e movimentos de tesouraria;
  • Tesouraria previsional baseada em obrigações reais;
  • Suporte à decisão financeira com dados consistentes e auditáveis.

O WIN Metalomecânica não é apenas um conjunto de funcionalidades. É uma estrutura de gestão integrada que impõe disciplina, assegura que há rastreabilidade e transforma os dados em informação económica fiável. É esta base que permite às empresas metalomecânicas controlar as suas margens, aumentar produtividade e crescer, de forma sustentada, no contexto da Indústria 5.0.

 

Gestão Financeira Tesouraria

 

Caso de sucesso: Entreferros

A Entreferros é uma empresa do setor metalomecânico com produção orientada a obra e projeto, onde o controlo de custos, a rastreabilidade dos processos e a fiabilidade da informação são determinantes para a rentabilidade e crescimento da empresa.

Antes da implementação do WIN Metalomecânica, a empresa encontrava desafios comuns a estas indústrias como: dificuldade em fortalecer a comunicação entre os diferentes departamentos, controlo limitado dos custos reais por obra, a dependência de ficheiros externos e o conhecimento disperso. Esta realidade condicionava a análise económica dos projetos e atrasava a identificação de desvios.

Entreferros - Eng.ª Beatriz Silva

Eng.ª Beatriz Silva - Entreferros

Com a implementação do WIN Metalomecânica, a Entreferros passou a trabalhar com uma base de dados única e integrada com o ERP, onde a informação comercial, produtiva, logística e financeira ficou interligada. O registo sistemático de consumos, tempos e custos por ordem de produção e por obra permitiu ter uma visão clara e atualizada da rentabilidade dos projetos, e distinguir, de forma clara e objetiva, a produção em oficina da montagem em obra.

Este caso mostra que a digitalização, quando assente em processos bem definidos e num software alinhado com a realidade do setor, deixa de ser um conceito abstrato e passa a ter impacto direto na gestão diária e nos resultados do negócio.

👉 Leia a entrevista completa à Entreferros no nosso Blog

 

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Contacte-nos e descubra como pode implementar um software de gestão no setor da metalomecânica

 

Fontes:

  • Plano Estratégico e de Ação para o Setor da Metalurgia e Metalomecânica em Portugal – Metal 2030, AIMMAP e EY-Parthenon, 2023.
  • Instituto Nacional de Estatística – dados da indústria transformadora.
  • Eurostat – indicadores económicos e industriais europeus.
  • Banco de Portugal – estatísticas setoriais e financeiras.

 

Ana Lopes

Ana Miguel Lopes

Corporate journalist

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