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Enquadramento da construção em Portugal: estrutura, pontos fortes e desafios reais do setor

2026-02-05

A construção civil em Portugal é muito importante para a economia do país. É um setor que cria muitos empregos e tem um impacto grande noutras áreas, como a indústria, os transportes, a energia e os serviços técnicos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a construção civil é responsável por uma parte significativa do Produto Interno Bruto, o PIB, e emprega centenas de milhares de pessoas.

A construção é um setor muito importante para a economia e para a sociedade. No entanto, é também um dos setores que mais sofre com as mudanças na economia, os aumentos de custos e os problemas internos. Estas incertezas causam instabilidade nas empresas de construção. Por um lado, há muita procura para construir e restaurar prédios e casas. Por outro lado, muitas empresas têm dificuldade em entregar os projetos no prazo e em manter os lucros. Essa é a grande contradição que o setor de construção enfrenta atualmente. O setor da construção é um dos pilares para o crescimento económico e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Mas, ao mesmo tempo, é um setor que precisa de ser mais estável para que as empresas possam trabalhar bem e entregar resultados de qualidade.

 

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O contexto recente da construção em Portugal

Após a retração entre 2011 e 2014, associada à crise financeira e à realidade económica de Portugal, o setor da construção começou um processo de recuperação gradual. De acordo com o INE, esta recuperação foi apoiada na reabilitação urbana, sobretudo nos grandes centros, e mais tarde foi reforçada pelo investimento privado, turismo e obras públicas.

Nos últimos anos, a questão da habitação ganhou muita importância, tanto na sociedade como na política. O Banco de Portugal (BdP) e o Instituto Nacional de Estatística, o INE, têm referido esta questão em vários relatórios. Estas instituições referem que há um problema grave na oferta de casas, especialmente nas grandes cidades. Esse problema faz com que haja muita pressão sobre as empresas de construção, mas também revela as suas limitações.

Em paralelo, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), enquadrado pelas orientações da Comissão Europeia, veio criar oportunidades de investimento em habitação, infraestruturas, eficiência energética e equipamentos públicos. No entanto, vários artigos do Jornal de Negócios sublinham que a capacidade de execução do setor não acompanha, em muitos casos, a ambição dos programas de financiamento.

 

Estrutura do setor e perfil das empresas

O setor da construção em Portugal é constituído, maioritariamente, por PMEs. Segundo dados da AICCOPN – Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, mais de 90% das empresas do setor são PMEs e têm poucos meios administrativos e financeiros.

Este perfil empresarial traduz-se numa forte dependência do gestor ou do dono da empresa, que acumula funções técnicas, comerciais e financeiras. Esta proximidade é uma vantagem operacional, mas transforma-se num risco quando a complexidade aumenta.

Estudos setoriais divulgados pela AICCOPN e análises publicadas no Jornal de Negócios referem que muitas empresas continuam a gerir várias obras em simultâneo sem sistemas formais de controlo de custos, planeamento ou análise de rentabilidade. Esta realidade fragiliza a gestão e aumenta a exposição ao erro.

 

Principais problemas que afetam o setor da construção

Um dos problemas mais referidos em estudos do setor começa no planeamento deficiente. O Jornal de Negócios e relatórios técnicos da AICCOPN indicam que uma grande parte das obras é iniciada sem orçamentos suficientemente rigorosos ou atualizados e que a pressão comercial para ganhar concursos leva, muitas vezes, à subavaliação de custos e riscos.

A orçamentação pouco estruturada tem impacto direto na rentabilidade das empresas. Os pequenos desvios, acumulados no decorrer da obra, levam a que os projetos teoricamente lucrativos se transformem em prejuízos financeiros. O INE, em análises sobre as falências empresariais, identifica a construção como um dos setores onde os problemas de tesouraria surgem mais cedo.

Outro problema estrutural é a baixa produtividade. As comparações internacionais divulgadas pela Comissão Europeia revelam que a produtividade da construção em Portugal permanece abaixo da média europeia. Esta realidade resulta da forte dependência dos processos manuais, da informação fragmentada e da quase inexistência de procedimentos.

A escassez de mão de obra é um dos maiores entraves ao setor. A AICCOPN tem alertado publicamente para a falta de trabalhadores qualificados e para o envelhecimento da força de trabalho. Dados divulgados pelo INE confirmam uma média etária elevada e a fraca entrada de jovens no setor. Esta situação obriga ao recurso crescente a mão de obra estrangeira, nem sempre estável ou devidamente qualificada.

A gestão de subempreiteiros é outro risco identificado. Artigos do Jornal de Negócios referem conflitos recorrentes relacionados com autos de medição, prazos e pagamentos. Cadeias longas de subcontratação aumentam o risco financeiro e operacional, especialmente nas empresas sem controlo rigoroso da informação contratual.

A tesouraria já é um problema histórico. O Banco de Portugal identifica a construção como um dos setores mais expostos a atrasos de pagamento, sobretudo nas obras públicas. Estes atrasos espalham-se ao longo da cadeia de fornecimento e exercem pressão sobre as empresas com uma capacidade financeira reduzida.

A carga administrativa é outro fator de peso. O INE e a AICCOPN referem que os processos de licenciamento, fiscalização e o cumprimento da legislação aumentaram de complexidade e exigem competências às quais, muitas PMEs, não têm capacidade de resposta.

Por fim, existe uma resistência à modernização da gestão. Apesar de existirem soluções tecnológicas adaptadas ao setor, tem havido alguma resistência a fazê-lo. O investimento na gestão e controlo continua a ser visto como custo, e não como fator de redução de risco.

 

Pontos fortes e aspetos positivos do setor da construção

Apesar dos problemas, a construção civil em Portugal apresenta vários pontos fortes.

O primeiro é o conhecimento técnico. As empresas portuguesas trabalham, há décadas, em contextos pouco vantajosos e com margens reduzidas. Esta experiência prática é reconhecida dentro e fora do país, como referido em relatórios da AICCOPN.

Outro ponto positivo é a diversidade de áreas de atuação. O setor abrange construção nova, reabilitação urbana, obras públicas, especialidades técnicas, manutenção e eficiência energética. Esta diversidade permite ajustar a atividade a diferentes ciclos económicos, como referido em análises do INE.

A necessidade estrutural de habitação está na ordem do dia. O Banco de Portugal e o INE têm sido claros ao afirmar que o défice habitacional não se deve à conjuntura, mas sim, de uma necessidade de médio e longo prazo.

O acesso a fundos europeus, enquadrados pela Comissão Europeia, é outro ponto positivo. Programas como o PRR convidam ao investimento, desde que exista capacidade de planeamento, execução e controlo.

Existe ainda uma crescente consciencialização relativamente à relevância da gestão. Cada vez mais empresários reconhecem que a execução técnica, por si só, não é garantia de sustentabilidade. Esta mudança de mentalidade é referida em estudos recentes da AICCOPN.

 

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O futuro da construção em Portugal

O futuro do setor da construção em Portugal será exigente. Os relatórios do Banco de Portugal e da Comissão Europeia apontam para um contexto de maior escrutínio financeiro e de eficiência e de menor tolerância ao improviso.

As empresas que conseguirem estruturar processos, controlar custos por obra e gerir riscos estarão mais bem posicionadas. O setor não precisa apenas de crescer. Precisa de se organizar.

 

Como podemos ajudar?

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Fontes:

Instituto Nacional de Estatística (INE) – Estatísticas da Construção e Habitação
Banco de Portugal – Relatórios Económicos e Setoriais
AICCOPN – Relatórios de Conjuntura do Setor da Construção
Jornal de Negócios – Análises e artigos sobre construção e obras públicas
Comissão Europeia – Documentos públicos sobre PRR e investimento em infraestruturas

Ana Lopes

Ana Miguel Lopes

Corporate journalist

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